A pele e o adolescente

Análise dos efeitos da aplicação de peeling por ácidos mandélico e glicólico no dorso de mãos fotoenvelhecidas

Ediara Gomes da Silva – Acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Estética e Cosmética da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA Campus Carazinho

Anielle de Vargas – Orientadora. Coordenadora e docente do Curso Superior de Tecnologia em Estética e Cosmética da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA Campus Carazinho.

RESUMO 

Atualmente é realidade que o ser humano está vivendo mais e há a preocupação de envelhecer com saúde e qualidade de vida, nesse sentido, observa-se que os cuidados com a aparência e a busca por procedimentos estéticos preventivos e corretivos estão em alta, visando cuidados com a pele. A partir deste contexto, o peeling químico se insere aos protocolos que objetivam a renovação celular seguida de rejuvenescimento e consequente melhora do aspecto da pele, uma vez que a literatura relata ser um ótimo procedimento para a pele de regiões como face, pescoço, colo e mãos. A pesquisa teve como objetivo promover uma melhora no aspecto da pele da região de mãos fotoenvelhecidas.  Para tal, foi realizado um estudo quase experimental, de caráter quantitativo e qualitativo, com amostragem intencional, onde foram realizadas dez sessões de aplicação de ácido glicólico e de ácido mandélico, um em cada paciente, uma vez por semana, a fim de comparar os benefícios de ambos os ácidos, nos meses de Agosto a Outubro de 2015, em dois indivíduos, ambos do gênero feminino residentes de Carazinho – RS. Como forma de comparação dos resultados foram realizados registros fotográficos e, ao término das sessões aplicado um questionário de satisfação. Após análise e interpretação dos resultados foi possível verificar que houve melhora significativa na pele do dorso das mãos dos voluntários desta pesquisa, já que as hipercromias e rugas finas diminuíram de maneira notável com a utilização da terapia proposta. 

Palavras-chaves: Peeling químico. Ácido glicólico. Ácido mandélico. 

1 INTRODUÇÃO 

Atualmente, há uma busca constante pela beleza, aparência saudável e jovial, envelhecer sem parecer velho. A partir da realidade que o ser humano possui maior expectativa de vida, busca-se viver mais tempo com qualidade de vida.

À medida que a expectativa de vida aumenta, a população idosa busca modalidades de intervenção que melhorem sua aparência e revertam os sinais do envelhecimento. Por essa razão, no futuro esperam-se aumentos expressivos de consultas aos esteticistas, dermatologistas e cirurgiões plásticos (GILCHREST; KRUTMANN, 2007).

Dentre os inúmeros procedimentos estéticos disponíveis no mercado, encontra-se o peeling químico, que oferece renovação celular, clareia manchas e diminui rugas finas, proporcionando melhora no aspecto da pele.

Levando-se em conta que o fotoenvelhecimento é um dos maiores vilões no envelhecimento da pele ao longo dos anos, o peeling químico vem sendo importante aliado aos tratamentos estéticos e frequentemente procurado pelos próprios pacientes, visto se tratar de um procedimento indolor e superficial, porém tem mostrado resultados significativos.

Em contrapartida, observa-se a grande procura por procedimentos estéticos faciais e corporais, que, na maioria das vezes, não englobam pescoço, colo, pés e mãos. Essas áreas do corpo são igualmente atingidas pelas radiações solares e por este motivo merecem atenção e cuidado tal qual as demais partes do corpo.

A aplicação de peeling químico em peles do dorso das mãos fotoenvelhecidas é um procedimento simples, rápido e prático, que pode ser realizado em pacientes que visam o cuidado com seu corpo como um todo, visto que a pele das mãos envelhecem na mesma velocidade e proporção pelo fato de estarem mais fotoexpostas ao sol e demais agressões externas que aceleram este processo e atuam em conjunto com o envelhecimento intrínseco do organismo.

“As mãos, depois da face, representam a principal superfície do corpo sem proteção. De certo modo, as mãos são ainda mais vulneráveis aos efeitos do meio ambiente do que a face.” (WILKINSON; MOORE, 1990 apud RIBEIRO, 2010, p.326).

O mais interessante desta técnica de peeling, é a possibilidade de observar a descamação superficial da epiderme ao longo das sessões, a pele vai mostrando-se mais clara, lisa e hidratada.

O profissional que pode realizar essa técnica é aquele que possui uma formação e/ou qualificação em cursos da área da saúde, que trazem em seus currículos disciplinas de anatomia e fisiologia humana, bem como disciplinas práticas de aplicação de peeling químico, possuindo assim conhecimento e capacitação suficientes e fundamentais para a realização deste procedimento.

Neste sentido essa pesquisa teve por objetivo aplicar o peeling químico de ácido glicólico e ácido mandélico, em peles fotoenvelhecidas do dorso das mãos, a fim de promover a melhora do aspecto da pele e comparar os benefícios de ambos os ácidos. Assim como, avaliar o nível de satisfação das pacientes através de questionário e fotografias comparativas de antes e depois, apresentando para o meio acadêmico este estudo através do presente artigo científico e incentivar os participantes da pesquisa a buscarem uma melhora ainda mais significativa, dando continuidade ao tratamento.

2 FOTOENVELHECIMENTO 

Para Kede e Sabatovich (2009) o envelhecimento é um processo dinâmico que envolve, com o passar dos anos, mudanças clínicas, fisiológicas, histológicas e psicológicas. É dividido em intrínseco e extrínseco.

Os autores supracitados definem o envelhecimento extrínseco, também denominado actinossenescência, quando relaciona-se com alterações da superfície cutânea provocadas principalmente pelo fotoenvelhecimento, como as modificações dos contornos e elasticidade da pele, que se manifestam por sulcos e rugas, associados à flacidez. Já o envelhecimento intrínseco busca a compreensão da senescência através do conhecimento dos vários fatores causais que atuarão tanto nos órgãos internos quanto na pele. Atualmente se consideram os seguintes fatores causais do envelhecimento intrínseco: genéticos, hormonais, imunológicos e psicológicos.

Segundo Gilchrest e Krutmann (2007) e Kede e Sabatovich (2009), o envelhecimento extrínseco ou fotoenvelhecimento surge nas áreas fotoexpostas devido ao efeito repetitivo da ação dos raios ultravioletas – as modificações surgem em longo prazo e superpõem-se ao envelhecimento intrínseco – a pele mostra-se precocemente alterada, lembrando a pele senil.

Pereira (2013, p.305) relata que

O fotoenvelhecimento acomete a todos os habitantes da Terra e, o seu desenvolvimento depende do tipo de pele e da intensidade de exposição solar. O envelhecimento cronológico ou intrínseco é mais lento e suave e causa alterações estéticas mais discretas. Já o actínico ou fotoenvelhecimento, induzido pela radiação ultravioleta, é mais agressivo e causa mais danos à pele.

O envelhecimento actínico é um processo que tem início na adolescência, mas os seus efeitos na pele podem aparecer anos mais tarde, uma vez que os raios solares possuem efeito cumulativo. Todo o sol tomado durante a vida fica guardado na memória das células, e só depois de algumas décadas é que as consequências aparecem (ALAM; GLADSTONE; TUNG, 2010).

Assim, com o passar do tempo, os efeitos cumulativos da exposição solar, poluentes, acne e cicatrizes podem danificar a pele e acarretar uma aparência mais envelhecida do que realmente deveríamos ter. Esse dano pode ser tratado com peelings químicos para promover o crescimento das células e produzir uma pele mais suave e mais clara (HAMILTON; AZIZZADEH, 2009).

“O envelhecimento rápido da população tem provocado enorme demanda pelos chamados tratamentos antienvelhecimento para corrigir os danos à pele causados pela ação solar.” (GILCHREST; KRUTMANN, 2007, p. 03).

Assim como a pele da face, a pele do dorso das mãos também sofre agressões extrínsecas resultantes do passar dos anos e, merece receber cuidados específicos de igual forma, para assim manter o aspecto jovial por mais tempo. Pensando nisso, que esta pesquisa objetivou o cuidado com a pele das mãos, que geralmente são esquecidas de receber tratamentos de rejuvenescimento e acabam por denunciar a idade dos indivíduos. 

3 PEELING QUÍMICO

O uso de agentes esfoliantes para descamar a epiderme e a derme superficial remonta ao Egito Antigo, onde as mulheres utilizavam banhos de leite azedo para suavizar a pele, assim como outras substâncias, dentre elas o sal, o enxofre, a pedra-pome e vários óleos de origem animal já foram usados para produzir uma aparência cosmeticamente mais elegante (BRODY et al., 2000 apud GOLDBERG, 2008).

O termo peeling é de origem inglesa e hoje é muito usado no meio estético, sendo conhecido desde a década de 1930 (GOBBO, 2010). Ribeiro (2010) cita que a esfoliação é também conhecida em francês como gommage, raspagem de pele ou peeling, do verbo “topeel” (esfoliar).

Peeling, em inglês, significa “despelar”. É exatamente isso que esse processo faz para garantir uma pele jovem, lisa e brilhante. Com o auxílio de produtos químicos ou lixas especiais, o peeling remove a camada externa da pele, a epiderme, fazendo surgir em seu lugar outro tecido. (MACEDO, 2001, p.114).

Pimentel (2011, p. 25) define que “peeling é uma abrasão da pele promovida por ácidos, lixamento ou laser. Ele visa à renovação da pele com base na descamação cutânea mais superficial, ou seja, da epiderme e/ou derme superficial.”

Martinez e Rittes (2004) relatam que os peelings antigamente eram profundos, pois eram feitos com princípios ativos mais penetrantes. Deixavam a pele bem irritada e cheia de crostas, descamando bastante após determinado tempo. Na atualidade, esse tipo de procedimento é mais indicado para remoção de marcas severas, como cicatrizes de acne.

Já Macedo (2001, p.114) descreve que “o peeling superficial é suave, deixa a pele mais “fresca”, brilhante e clara. É indicado para manchas superficiais, poros dilatados e sardas.”

Este mesmo autor supracitado descreve que os peelings também estão sendo usados para melhorar o aspecto da pele de outras regiões do corpo, como pescoço, colo, braços e mãos, para acompanhar o rejuvenescimento da face.

O peeling superficial causa necrose da epiderme até a junção dermoepidérmica e pode estimular a formação de colágeno na derme papilar superficial. Os agentes mais utilizados são os alfa-hidroxiácidos (AHA’s), como os ácidos: glicólico, mandélico, salicílico, entre outros (GOBBO, 2010, p. 87).

O uso dos AHA’s em tratamentos de pele começou em 1974, quando alguns pesquisadores perceberam que eram eficazes para peles muito secas e patologias cutâneas, como eczema, queratose pilar e ictiose. O primeiro medicamento à base de AHA foi uma prescrição de ácido láctico, que ainda hoje é utilizado para tratamentos de peles ressecadas. Em seguida, outros pesquisadores mostraram que os demais AHA’s, principalmente o ácido glicólico, funcionavam não apenas para pele seca, mas também para tratamento da acne suave e de rugas muito finas (MACEDO, 2001).

“Os AHA’s são ácidos carboxílicos derivados de plantas e produzidos sinteticamente para uso em produtos químicos para esfoliação.” (ALAM; GLADSTONE; TUNG, 2010, p.16). Maio (2011, p. 1392) explica que “a ação desses ácidos na epiderme promove diminuição da adesão dos corneócitos graças ao enfraquecimento dos dermossomos. Na derme, sua presença estimula a produção de colágeno e glicosaminoglicanos (GAGs).”

Para Borges (2010) os ácidos são todas as formulações que possuem seu pH menor que o da pele, convertendo-a em uma região ácida, proporcionando um peeling químico (esfoliação) que poderá ser muito superficial, superficial, médio ou profundo – dependendo de sua porcentagem e seu pH.

Os AHA’s, quando usados constantemente, podem amplificar a espessura da epiderme e derme. Aumenta a deposição nesta camada de colágeno, fibras elásticas, GAGs e leva a uma modesta, mas significativa, recuperação da pele envelhecida (GILCHREST, 1996 apud RIBEIRO, 2010).

Pereira (2013, p.425) cita as principais indicações de uso, que são: “hiperqueratinização, queratoses seborreicas, peles secas, peles rugosas, peles envelhecidas e fotodanificadas.”

Dentre os vários tipos de AHA’s vamos destacar nesta pesquisa os ácidos glicólico e mandélico.

Pimentel (2011, p.39) descreve que “o ácido glicólico é um alfa-hidroxiácido (AHA), no qual há apenas dois átomos de carbono, por isso pode causar tanto uma descamação superficial como profunda.”

O ácido glicólico quando usado com frequência, atua como esfoliante, proporcionando a retirada de corneócitos, que são as células mortas da camada mais superficial da epiderme, e permitindo que as células mais jovens emerjam à superfície, o que facilita a penetração de outros princípios ativos associados a ele (PIMENTEL, 2011).

Já o ácido mandélico, citado por Kede e Sabatovich (2009) é um AHA derivado da hidrólise do extrato de amêndoas amargas. Segundo relatos é menos irritativo e produz menos eritema do que o ácido glicólico.

No caso de hiperpigmentações, o ácido mandélico contribui no bloqueio da síntese de melanina (formação da mancha), bem como na melanina já depositada (mancha já formada), auxiliando na remoção dos pigmentos hipercrômicos (PIMENTEL, 2011).

Segundo Kede e Sabatovich (2009) é seguro considerar que a maioria dos peelings não faciais são adequados para tratar enrugamento fino e manchas (inclusive as senis). Portanto, devemos optar por repetidos peelings superficiais que podem criar deposição de novo colágeno na derme e favorecer a melhora de rugas finas, sem necessidade de peelings profundos.

Maio (2011) complementa que esfoliações repetidas proporcionam baixo risco e geram melhorias cumulativas superiores aos resultados de uma única esfoliação.

É importante inteirar o paciente como será realizado o peeling, como ele funciona na pele, seus limites, as precauções, a presença do leve eritema, a irritabilidade etc. Conforme as descrições de Borges (2006) que ainda ressalta que a utilização indevida de peeling químico por pacientes ou até mesmo por profissionais não qualificados, sem estudo e treinamento adequado, pode levar a consequências gravíssimas na pele. 

A sensação de ardor ou queimação associada aos peelings químicos é breve, não constante e aumenta como uma onda de calor. É importante alertar os pacientes sobre o desconforto que sentirão, mas também os tranquilizar de que será por pouco tempo (KEDE; SABATOVICH, 2009, p.574).

Pimentel (2012) complementa que a ANVISA descreve os peelings, particularmente os superficiais, classificados pela Câmara Técnica de Cosméticos (CATEC) até grau 2, o que é autorizado aos Esteticistas e Fisioterapeutas realizarem as aplicações.

“De forma geral, o peeling químico superficial é seguro em todos os tipos de pele, bem tolerado e considerado de baixo risco.” (ALAM; GLADSTONE; TUNG, 2010, p.86).

4 METODOLOGIA 

            A presente pesquisa caracteriza-se por um estudo quase-experimental, de caráter quantitativo e qualitativo, com amostragem intencional, que tem por intuito avaliar os benefícios da aplicação de Peeling Químico de ácido glicólico e de ácido mandélico no dorso de mãos fotoenvelhecidas, para proporcionar melhora no aspecto da pele.

A amostra foi composta por dois indivíduos, sendo ambos do gênero feminino, onde o primeiro foi nominado como Paciente 1 (P1) e o segundo nominado como Paciente 2 (P2), com idades média de 50 anos, ambos voluntários, que trabalham diariamente como professores na Rede Municipal de Educação de Carazinho-RS e residentes neste mesmo município.

A escolha de sujeitos com características parecidas se deve ao fato de serem irmãs, e esse era o propósito da pesquisa, a fim de comparar os resultados obtidos com os diferentes ácidos utilizados.

Para tal, os critérios de inclusão foram: apresentar a pele do dorso das mãos com características de fotoenvelhecimento, ser do gênero feminino, ter idade entre 40 e 50 anos, possuir fototipo de pele classificação II ou III segundo Wolff, Johnson e Saavedra (2009) e aceitar a participação na pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE.

Foram excluídos os indivíduos que apresentavam as seguintes contraindicações: pele negra, gestantes, cicatrizes hipertróficas, herpes, eritema persistente, feridas abertas, cirurgia recente nos últimos seis meses, história de desordens cutâneas ativas, rosácea, dermatite de contato ou atópica e dermatite seborreica. As contraindicações para a realização de peeling químico são citadas por Pimentel (2012) e Alam (2010).

O primeiro contato com os sujeitos foi uma abordagem através de convite informal e intencional, sendo agendada a data e o horário, de acordo com a disponibilidade dos participantes, para que a avaliação inicial pudesse ser realizada e as sessões iniciadas. Na ocasião foi realizada a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Para a coleta dos dados foi utilizada uma Ficha de Anamnese e registros fotográficos. Ao término das sessões foi aplicado um Questionário de Satisfação, o qual dispunha de cinco perguntas acerca da temática proposta.

Todos os dados foram analisados e interpretados pelo programa Microsoft Windows Word 2007, onde os resultados foram mensurados através de análise descritiva baseada na literatura revisada.

4.1 Descrição do procedimento 

O presente estudo baseou-se na aplicação de um protocolo padrão para ambas as pacientes, diferenciando-se somente no tipo de ácido utilizado. As aplicações foram realizadas no Laboratório de Estética da ULBRA Campus Carazinho – RS. Realizou-se 01 sessão semanal para cada paciente, com duração de 30 minutos.

Inicialmente, a pele do dorso das mãos foi higienizada com sabonete líquido manipulado e água, esfoliada com esfoliante físico industrializado, aplicação de ácido manipulado deixando agir por dez minutos e após retirado com água e, para finalizar, aplicação de filtro solar manipulado.

O sabonete líquido neutro e o filtro solar com proteção UVA e UVB FPS 30, foram manipulados na Farmácia Glória, localizada na Avenida Pátria nº 801, Carazinho-RS, sendo o farmacêutico responsável Mauro Mazzutti CRF RS 7523.

O esfoliante utilizado foi o Clean Skin, da marca VEER, contendo extrato de limão siciliano, menta, óxido de alumínio e esferas de jojoba e foi comprado na Farmácia Botânica Beauty, localizada na Rua XV de Novembro nº 885, Passo Fundo-RS, sendo a farmacêutica responsável Andrea Guilhon CRF RS 5834. Os ácidos glicólico e mandélico foram manipulados neste mesmo local, sendo ambos com concentração de 10% com pH 3,5.

Ambas as pacientes foram orientadas a ter o máximo de cuidados com a exposição solar, utilizando sempre o filtro solar e também cuidados referentes ao contato com calor excessivo e produtos químicos. Foi solicitado também, que as pacientes não utilizassem nenhum outro produto cosmético nas mãos, durante o tratamento, para não interferir nos resultados e também para não provocar intercorrências.

5 ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS           

Foi aplicado um protocolo de dez sessões com duração de 30 minutos com uma frequência de uma vez por semana, durante dez semanas, entre Agosto e Outubro de 2015.

  • Ficha de Anamnese

Antes de iniciar as sessões de peeling químico, os sujeitos da pesquisa responderam a uma ficha de anamnese, para saber qual era a situação física em que eles se encontravam, podendo assim utilizá-la para comparar os resultados atingidos com o tratamento, segue abaixo os dados dos voluntários.

A P1, 49 anos, professora há 28, nunca recebeu nenhum tipo de tratamento com peeling químico, não possui monitoramento por profissional de saúde e não faz uso de medicamentos. Suas atividades sociais e recreativas são reuniões de trabalho e de família e pratica caminhadas. Para as mãos utiliza somente sabonete e hidratante. Não possui nenhuma alergia ou doença.

Já a P2, tem 50 anos, professora há 30, nunca recebeu nenhum tipo de tratamento com peeling químico, relatou realizar exames de rotina frequentemente, tendo acompanhamento de médico cardiologista e faz uso de medicamentos para tratamento de hipertensão e arritmia cardíaca. Suas atividades sociais e recreativas são reuniões de trabalho e de família e pratica bicicleta e esteira. Para as mãos utiliza somente sabonete e hidratante. Não possui nenhuma alergia.

  • Registros fotográficos 

Iremos acompanhar através dos registros fotográficos a regiões onde foram aplicadas a terapia proposta pela pesquisa, evidenciando as diferenças após o tratamentos.

Primeiramente apresentamos os resultados da P1 onde foi utilizado durante dez sessões o ácido glicólico 10% com pH 3,5 aplicado no dorso das mãos.

Figura 1 – Dorso das mãos da P1 antes do tratamento.

Figura 2 – Dorso das mãos após o tratamento.

Fonte: Coleta de dados entre os meses de Agosto e Outubro de 2015. Carazinho/RS.

Figura 3 – Polegares da P1 antes do tratamento.

Figura 4 – Polegares após o tratamento.

Fonte: Coleta de dados entre os meses de Agosto e Outubro de 2015. Carazinho/RS.

A partir dos resultados obtidos com a P1, observa-se melhora no aspecto de rugas finas e diminuição de hipercromias, além disso, a pele apresentou-se mais “lisa” e hidratada ao final das aplicações. A pele desta paciente não descamou ao receber tratamento com peeling químico de ácido glicólico e, durante as sessões, não houve nenhum tipo de intercorrência com a mesma.

Entre os AHA’s, merece destaque o ácido glicólico, pois acelera a renovação celular, deixando a pele mais lisa, uniforme e bonita (MACEDO, 2001).

O envelhecimento pode ser definido como um complexo e multifatorial processo influenciado pela genética, fatores ambientais e comportamentais. Envolve um conjunto de alterações morfológicas, fisiológicas e bioquímicas inevitáveis que ocorrem progressivamente no organismo ao longo da vida. Essas alterações levam à perda gradativa das funções dos vários órgãos. Entre eles, a pele, que aumenta a vulnerabilidade ao meio ambiente e diminui a sua capacidade de homeostasia, além de apresentar indesejáveis alterações estéticas. (RIBEIRO, 2010, p.206).

Segundo Gilchrest e Krutmann (2007) e Kede e Sabatovich (2009), o envelhecimento extrínseco ou fotoenvelhecimento, manifesta-se nas regiões fotoexpostas devido ao efeito repetitivo da influência dos raios ultravioletas – as alterações surgem em longo prazo e superpõem-se ao envelhecimento intrínseco – a pele mostra-se precocemente modificada, lembrando a pele senil.

Portanto, o envelhecimento cutâneo das mãos envolve a combinação de fatores intrínsecos e extrínsecos com mudanças na sua apresentação clínica e no nível de gravidade (MAIO, 2011).

Através dos registros fotográfico 5, 6, 7 e 8 pode-se acompanhar os resultados do tratamento da P2, onde foi utilizado durante dez sessões o ácido mandélico 10% pH 3,5 aplicado no dorso das mãos, conforme segue:

Figura 5 – Dorso das mãos da P2 antes do tratamento.

Figura 6 – Dorso das mãos após o tratamento.

Fonte: Coleta de dados entre os meses de Agosto e Outubro de 2015. Carazinho/RS.

Figura 7 – Polegares da P2 antes do tratamento.

Figura 8 – Polegares após o tratamento.

Fonte: Coleta de dados entre os meses de Agosto e Outubro de 2015. Carazinho/RS. 

A partir dos resultados obtidos com a P2, observa-se melhora significativa no aspecto de rugas finas e diminuição de hipercromias. O clareamento da pele do dorso das mãos desta paciente foi notável, sendo que descamou desde a primeira sessão de peeling químico de ácido mandélico. Houve somente uma precaução na quinta sessão deste procedimento, que o tempo de ação do ácido precisou ser reduzido para cinco minutos, pois a pele estava mostrando-se sensível e muito fina. A partir da sexta sessão, o tempo de ação do ácido foi normalizado para dez minutos novamente.

Kede e Sabatovich (2009, p.578) descrevem que “o ácido mandélico é menos irritativo e produz menos eritema do que o ácido glicólico.” Já Borges (2010, p.343) relata que “o ácido mandélico é útil para conter pigmentação, tratar acne inflamatória não cística e rejuvenescer a pele fotoenvelhecida.”

Os peelings efetuados com esse ácido promovem menor grau de descamação, acelerando notavelmente o tempo de recuperação da pele (PIMENTEL, 2012).

Porém na prática, observou-se melhores resultados com este ácido comparado aos resultados do ácido glicólico. A pele do dorso das mãos da P2 apresentou mais alterações durante as sessões do que a pele da P1, sendo que esta primeira descamou em todas as sessões e a segunda não.

“O objetivo da utilização do peeling é promover uma alteração na pele que acelere o processo de renovação celular da camada mais profunda à superfície, combatendo assim o envelhecimento celular.” (PIMENTEL, 2011, p.26).

Para Gilchrest e Krutmann (2007) os AHAs podem reverter consideravelmente os indicadores epidérmicos e dérmicos do fotoenvelhecimento. Essas formulações também são utilizadas para tratar danos epidérmicos ou da derme superficial, inclusive rugas finas, ceratoses actínicas, melasma, lentigos e ceratoses seborreicas.

“Os AHA’s tem a penetração frequentemente irregular, necessitam de muitas aplicações, entre 10 a 20 sessões.” (PIMENTEL, 2012, p. 14). O que nos mostra a necessidade de realizar procedimentos estéticos com maior durabilidade e não a curto prazo.

Salienta-se a necessidade de cuidados cosméticos, quando possíveis, consistem em utilizar protetor solar, clareadores e, acima de tudo, ter paciência e persistência. Não se consegue melhora em pouco tempo. Além disso, muitas vezes, os cuidados cosméticos precisam ser contínuos (RIBEIRO, 2010).

O cuidado com as mãos precisa ser diário. Somente assim é possível reduzir as consequências nocivas do meio ambiente e das atividades diárias, como exposição solar, lavagem constante e contato com produtos químicos. Esses fatores podem causar ressecamento, envelhecimento e irritação da pele das mãos (SILVA; QUIROGA, 2005).

Com a finalidade de prevenir o envelhecimento, hidratar, proteger da radiação ultravioleta, esfoliar e despigmentar a pele das mãos, encontram aplicação os mesmos ativos utilizados em formulações faciais, com os mesmos benefícios se aplicados nas mãos.  (RIBEIRO, 2010, p.328).

O rejuvenescimento das mãos por meio da esfoliação química favorece remoção controlada da pele fotoenvelhecida, em que a epiderme alterada é substituída e, na derme, ocorre estímulo para a produção de colágeno. Clinicamente, observa-se a redução das rugas finas, bem como das hipercromias e a melhora na textura da pele, que se apresenta mais uniforme (MAIO, 2010).

  • Análise comparativa 

Com o passar das sessões, a pele do dorso das mãos de ambas as pacientes apresentava melhora em seu aspecto e, a partir disso, observou-se que as alterações estéticas causadas pelo tempo são muito incômodas, visto que as voluntárias notavam as mudanças e relatavam com entusiasmo a cada encontro.

As voluntárias desta pesquisa apresentavam efeitos cumulativos da exposição solar sem fotoproteção antes do tratamento, evidenciando claramente rugas, manchas e aspecto ressecado. A pele demonstra de maneira mais evidente o resultado do passar dos anos com influências intrínsecas e extrínsecas.

O tratamento com aplicação de peeling químico de ácidos glicólico e mandélico no dorso de mãos fotoenvelhecidas trouxe resultados significativos. Foi possível observar clareamento e redução de rugas finas em ambos os protocolos. Ribeiro (2010) complementa que os AHA’s, como os ácidos glicólico e mandélico fazem parte de formulações despigmentantes, atuando como esfoliantes por processo químico e aumentando a renovação da epiderme e uniformizando a pigmentação da pele.

Neste estudo, observou-se claramente melhores resultados com a aplicação de ácido mandélico no dorso de mãos com sinais de fotoenvelhecimento, pois desde a primeira sessão já apresentou descamação e mudanças no aspecto da pele. O ácido glicólico também apresentou resultados, porém mais sutis.

Sendo assim, acredita-se que as pacientes atendidas poderão manter os resultados do tratamento com cuidados específicos em relação ao sol e também fazer novas aplicações da técnica com o passar do tempo.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O peeling químico, que utiliza ácidos manipulados especificamente para tratamentos de pele, é um procedimento rápido e seguro se aplicado de maneira adequada e por profissionais qualificados. Esta técnica vem sendo frequentemente aplicada para a melhora do aspecto de peles com rugas e manchas, obtendo resultados significativos.

A partir do objetivo proposto e dos resultados obtidos nesta pesquisa, foi possível verificar que a aplicação da técnica trouxe muitos benefícios aos indivíduos no que diz respeito à redução de rugas finas, leve clareamento das hipercromias, deixando a pele das mãos com aparência mais jovem, o que resultou na descrição de ambas as pacientes sobre melhora da autoestima ao observar estes efeitos.

As voluntárias relataram que gostariam que a aplicação de peeling químico no dorso das mãos fosse realizada com mais frequência, certamente os resultados seriam mantidos por mais tempo e a pele estaria recebendo cuidados assim como outras regiões do corpo, amenizando o aspecto acometido pelo fotoenvelhecimento. Por mais que as pacientes apresentassem idades, características e hábitos de vida semelhantes, os resultados obtidos com o tratamento foram diferentes.

A partir desta pesquisa verificou-se os efeitos positivos que o peeling químico pode proporcionar em peles fotoenvelhecidas de outras regiões do corpo fotoexpostas, não somente no rosto. Porém, observou-se que a P1, que recebeu aplicação de ácido glicólico, não obteve significativas mudanças na redução de rugas, mas houve clareamento de hipercromias e a pele mostrou-se mais hidratada ao final das sessões e não houve descamação da pele. Já a P2, que recebeu aplicação de ácido mandélico, obteve leve mudança no aspecto das rugas finas, notou-se significativo clareamento de hipercromias, mas a pele apresentou-se mais ressecada e houve descamação de pele após todas as aplicações do ácido.

Esta técnica, se realizada com maior frequência, sem dúvida terá seus efeitos melhor observados, porém o cuidado pós-peeling com fotoprotetores e menor exposição solar são fundamentais, fazendo assim com que os efeitos sejam potencializados.

Salienta-se que para esta técnica ser totalmente segura, sem intercorrências e manutenção dos resultados obtidos, tornam-se imprescindíveis alguns cuidados por parte do paciente, que devem ser explicados de forma clara e objetiva pelo terapeuta, tais como: uso do filtro solar de acordo com o fototipo de pele, evitar exposição ao sol após o procedimento, evitar proximidade com calor excessivo e evitar o contato direto com produtos químicos.

Espera-se que esta pesquisa sirva como ponto de partida para novos estudos de cunho experimental que apontem novas alternativas, mostrando assim a importância deste estudo que aborda o peeling químico aplicado no dorso de mãos fotoenvelhecidas, sendo capaz de contribuir para a melhora do aspecto da pele dessa região, muitas vezes esquecida de receber cuidados. 

REFERÊNCIAS 

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KEDE, Maria Paulina Villarejo; SABATOVICH, Oleg. Dermatologia Estética. 2.ed. São Paulo. Editora Atheneu, 2009.

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http://negocioestetica.com.br/site/analise-dos-efeitos-da-aplicacao-de-peeling-por-acidos-mandelico-e-glicolico-no-dorso-de-maos-fotoenvelhecidas/

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